Um dos grandes mistérios da Astrologia diz respeito a origem das energias que influenciam a personalidade humana e os eventos de sua vida, de acordo com a posição que alguns astros do sistema solar ocupam na esfera celeste, e também de onde vem a correlação entre os planetas e nossos arquétipos internos.
Por exemplo, por que uma pessoa com Sol / Mercúrio em Gêmeos costuma ser tão falante? Por que uma pessoa com Lua em Capricórnio se sente tão insegura?
Costuma-se dizer que as energias arquetípicas que moldam as personalidades humanas vêm dos astros celestes e das estrelas que compõe as 12 constelações do zodíaco.
Mas essa explicação não faz muito sentido, especialmente no caso das constelações.
Primeiramente porque atualmente as constelações reais, aquelas que estão no céu noturno quando você olha pra ele, estão 24º para trás em relação às efemérides dos mapas astrais atuais, as quais foram estabelecidas no período helênico e associadas desde então às estações do ano. As constelações do céu andam um grau pra trás a cada 72 anos. Porém, embora os astrólogos siderais discordem, aparentemente, os arquétipos da Astrologia Tropical continuam descrevendo muito bem os nativos.
Em segundo lugar, atribuir os arquétipos às constelações não faz muito sentido porque as constelações são formadas por estrelas e aglomerações espalhadas pelo espaço sideral. A imagem abaixo descreve bem esta situação.
Estrutura tridimensional da Constelação
Para quem observa da Terra, uma constelação parece um joguinho estático de “ligue os pontos”, porém no espaço tridimensional, as estrelas estão espalhadas/distribuídas no sentido infinito e não possuem uma relação intrínseca entre si. Além de estarem hiper-distantes da Terra. A luz dessas estrelas / constelações que nos chegam hoje aos olhos saíram de lá há milhares e milhares de anos-luz.
Olhar para o céu noturno é olhar para o passado distante.
A verdade sobre as influências astrais
A verdade verdadeira sobre “as influências dos astros” na vida e personalidade humana é completamente desconhecida.
Os efeitos são plenamente verificáveis, qualquer astrólogo sabe disso. Mas as causas, admitamos, continuam desconhecidas.
Talvez os planetas do sistema solar, por sua enorme dimensão e relativa “proximidade” com o planeta Terra pudessem ter uma energia intrínseca que influenciasse a personalidade humana e alguns fatos de sua vida, e o ciclo lunar influenciando os ciclos fisiológicos femininos dá uma base para esta visão, mas… mesmo assim, como explicar o poder incontestável de um Plutão posicionado num mapa, para o bem ou para o mal, com seu diminuto tamanho (menor que a Lua) e sua improvável posição nos confins do Sistema Solar?
É certo que as energias arquetípicas existem e estão em algum lugar, e exercem inequívoca influência sobre a psique humana. Mas certamente subsistem em alguma dimensão insondável do universo, sendo planetas e constelações nada mais que pontos de referência para algo muito maior, complexo e indescritível.
Apesar do título, esse texto não é exatamente um texto astrológico.
É toda uma reflexão aleatória sobre SER alguém com Lua em Capricórnio.
A Lua muda de signo no céu a cada 2 dias e meio. Quando eu nasci, ela estava no signo de Capricórnio.
Diz o conhecimento astrológico, que esta é a pior posição de uma Lua, pois ela está oposta ao seu signo natural, Câncer, signo que eu, particularmente, ainda tenho interceptado – astrólogos entendem bem isso e, para os leigos, só adianto que não ajuda em nada.
Diz-se que se um planeta está no signo oposto ao que rege, que ele está exilado. No meu caso, portanto, estando no signo oposto ao que rege, posso dizer que “minha Lua” está em exílio.
A Lua, em nossa psique, representa nosso comportamento instintivo, emocional e reativo. Esta reação emocional ocorre diante de todos os fatos de nossa vida, sempre em busca de segurança e integridade, física e emocional.
Por representar nosso lado reativo, a Lua é considerada o ponto mais cármico em nosso mapa, ela traz consigo, junto aos outros três pontos por ela mesma gerados num mapa – Lilith, Nodo Norte e Sul, nossas memórias mais ancestrais.
Tendo-a exilada, portanto, um Lua em Capricórnio tende a ser uma pessoa profundamente insegura de si. Vive com aquela convicção íntima de que não encontrou seu lugar no mundo, e de que não precisava existir, e manifesta essa convicção mostrando-se excessivamente tímida, retraída, recolhida e emocionalmente inexpressiva.
Tirar fotos, e pior, publicar uma selfie é uma tortura psicológica.
É séria, mais por desconfiança, do que por falta de graça.
Na infância, ela é muito a própria lua.
Eu quando criança era quieto, passivo, concentrado em atividades manuais, não gostava de sair. Nas fotos, sempre sério, com um olhar ou distante, ou triste, ou apreensivo.
Morria de medo de gente, talvez beirasse o autismo; meu pai me chamava carinhosamente de bugre.
O Lua em Capricórnio quer se sentir poderoso e importante; no fundo quer se sentir validado, ou, mais especificamente, amado; o que ao mesmo tempo considera uma fraqueza vergonhosa.
Quer aquilo que condena; por isso nunca tem.
E, quando não consegue o amor que espera, mergulha numa melancolia birrenta e suicida.
E assim foi minha interminável adolescência.
Mas aí o tempo passa, ele vai amadurecendo e se agarrando a outros aspectos de seu mapa astral pra seguir respirando acima da superfície, pelas correntezas da vida.
Com o passar dos anos, o retraimento e a insegurança se amenizam. Ele vai percebendo, ao longo do tempo, que sempre consegue sair vivo de encontros sociais, nunca sem colecionar alguns micos a cada encontro… e até os micos vão perdendo importância na medida em que ele vai se dando conta de que modo geral as pessoas só se preocupam consigo mesmas o tempo todo e que… se alguém se dá o trabalho de reparar na vida do Lua em Capricórnio é porque tá pior que ele e nem merece consideração.
Antes se impacientava, agora sente dó de quem dá festas que tentam parecer contos-de-fadas, ele simplesmente não consegue “comemorar” seu aniversário (comemorar o quê?), ele não entende como as pessoas se emocionam com jogos de futebol ou seus artistas “preferidos”, até um simples “bom dia” é capaz de te irritar profundamente, dependendo o momento (pois diria o romântico: nenhum dia é bom sem você, meu amor).
Ele evita pessoas dramáticas como vampiros evitam a luz do sol. Dramas lhe esgotam sua escassa energia lunar. Ele faz um esforço tremendo, para ainda considerar um pouco, momentos como o Natal, porque normalmente se passa em família, essa gente cujos laços ancestrais ainda balizam esses trajetos tortuosos, mas não sem passar por alguns calafrios quando alguém pronuncia o substantivo composto: “amigo-secreto”.
Para além disso, com seus óculos psico-dimensionais, para onde quer que olhe, ele não vê mais adultos fazendo suas coisas, e sim, crianças grandes com seus brinquedos ou atividades, querendo atenção, valorização e amor.
Agora, nem se iludir ele quer. Se sente desconfortável ao ver os outros felizes satisfazendo as próprias fraquezas e ilusões. Quanto tempo, energia gastos à toa. Fraquezas e ilusões que bem no fundo ele gostaria de estar satisfazendo.
O Lua em Capricórnio se irrita com a própria fraqueza refletida nos outros. Se irrita ao ver os outros satisfazendo – ou tentando satisfazer – desejos românticos que ele mesmo tem e gostaria de estar satisfazendo; mas sabe que são desejos ilusórios e esta é a angústia.
“Não era pra ser assim; Não faz sentido; Devo ter nascido no mundo errado” devaneia o Lua em Capricórnio.
Nada define melhor essa postura do que o meme: “Quem me dera, Deus me livre.”
Porque aprendeu que… Na Prática, a Teoria é Outra.
Nada – nem ninguém – vale efetivamente a pena, e tudo que almejamos não passa de muletas existenciais para nos ajudar a suportar o fardo de termos pouca estima pelo que somos.
Do ponto de vista da eternidade, nossas vidas não passam de um breve piscar de olhos do universo, então para quê tanta luta? Ai mas estamos aqui para evoluir, responderia o espiritualista.
As decepções, frustrações e fracassos vão tornando o Lua em Capricórnio, na vida, um infeliz utilitarista.
Para ele só vale a pena se mobilizar para as coisas práticas que coloquem comida na sua mesa, roupa no seu corpo e um teto sobre sua cabeça. Ele vai “passear” no Shopping ou no Camelô e sai de lá convicto de que se dependesse dele e de suas necessidades de consumo, 80% daquelas lojas iriam a falência. Boa parte das lojas atualmente não vendem produtos, nem resoluções. Vendem ILUSÕES.
Na noite ele não vê homens e mulheres buscando prazer e diversão, e sim, machos e fêmeas em rituais de acasalamento buscando reprodução. Observa as pessoas – homens e mulheres – afoitos buscando e pulando de relacionamento em relacionamento – e nada mais vê que seres sucumbindo a prazeres efêmeros; corpos subornados pela natureza, pagos com prazeres efêmeros, buscando, no final das contas, a reprodução.
Se render aos dramas e angústias existenciais costuma ser fatal, portanto, se há algo de bom em ser um Lua em Capricórnio, talvez seja a capacidade que vai lhe surgindo ao longo da vida, de tratar de temas assim tão funestos com analítica isenção, sem comover-se e sem mergulhar no abismo da melancolia (porque já quase se afogou nela durante o início da vida).
Corações mais sensíveis já teriam sucumbido sem chegar a este parágrafo.
Não estou triste, nem deprimido.
Apenas relatando a fria realidade das coisas…
…de que tudo é ilusão e que nada vale a pena.
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Disclaimer
1 – Com exceção das músicas da Lana Del Rey, todas as músicas deste vídeo, caracterizadamente melancólicas, foram a trilha sonora da minha adolescência, período do qual não tenho a menor saudade.
2 – Embora a visão acima pareça pessimista, amargurada e ressentida, nada mais é do que uma visão pragmática e desprovida de ilusões.
Desde criança me interessava por assuntos astrológicos.
Essa classificação ancestral e aparentemente verificável das pessoas, entre 12 arquétipos, popularmente conhecidos como signos, me atraia como o viajante perdido que encontra um mapa, do nada, durante o trajeto.
Encontrar ordem em meio ao caos é sempre um alento.
Além das revistas que minha mãe comprava, e alguns almanaques (era a década de 80/90, gente) onde tive os primeiros contatos com textos astrológicos, lembro de quando ela, minha mãe, ganhou um presente que era uma plaquinha de madeira com as características de seu signo – Libra.
Depois, lembro de ter vindo parar na minha mão a trilogia d’O Mistério dos Signos da Disney. Incrível como estas influências ficam pra sempre em nós.
Com o tempo, em vez desse interesse se desfazer, só aumentou, em especial com a internet, e com algumas pessoas chave com quem convivo, que me mostraram que a astrologia é digna de estudo.
Hoje, talvez um pouco tarde já, conclui meu primeiro curso de astrologia, e comprei uma dezena de livros para me aprofundar no assunto.
Tenho lido esses livros e estudado muito o assunto de forma aprofundada, e como me é natural, surge uma necessidade de catalizar o que aprendi para fixá-lo. Essa catarse sempre me ocorreu através da escrita, e cá estou eu, utilizando este site para fixar alguns conhecimentos, e, ao mesmo tempo, compartilhá-los com quem se interessar, através desta ferramenta magnífica que é a rede mundial de computadores.
Neste que considero meu terceiro quinto texto sobre o assunto, quero abordar algumas visões particulares sobre a interpretação de mapas astrais. Os textos aqui publicados sob este tema não são para leigos, são para estudiosos de astrologia mesmo.
E estas minhas colocações abaixo são especulativas. Não tenho certeza sobre elas, porém têm me ajudado a compreender melhor os mapas que tenho analisado. Se você é estudioso e entende de forma diferente, continue reforçando e aprimorando seu próprio modo de interpretar Mapas Astrais.
Correspondências astrológicas
Casas vazias
Exemplo de Mapa Astral
Algo que sempre chama muita atenção nos mapas astrais são as casas astrológicas sem planetas. Dá uma tristeza ver aqueles espaços sem projeção. Costuma-se atribuir a essas casas à regência do signo que está em sua cúspide. É uma possibilidade de interpretação, mas acredito que é possível ser mais objetivo.
Todo astrólogo admite que os focos vibracionais num mapa são os planetas; que os signos onde estão os colorem, e as casas onde estão, situam tais vibrações em áreas práticas da vida. São eles, os planetas, que representam no mapa nossas distintas vibrações pessoais. E são os planetas que regem os assuntos dos signos e das casas. Então se você tem uma casa 3 vazia, por exemplo, a casa da comunicação pessoal entre outros temas, em vez de ficar debruçado tentando mesclar os significados dessa casa e os signos que estão sobre ela, foque em Mercúrio. É este planeta que rege os assuntos da casa 3, bem como da 6, de Gêmeos e de Virgem.
Tem o signo de Capricórnio ou a casa 10 vazios? Será que não alcançará nenhuma projeção profissional? Claro que não. Veja onde está Saturno. Saturno é muito temido na astrologia popular, mas ele é apenas o regente do térreo Capricórnio, e do aéreo Aquário (junto a Urano). Como regente de Capricórnio, Saturno nada mais é do que o representante do modo (signo) e da área prática (casa) da nossa atuação profissional – das áreas da vida nas quais enfrentamos desafios e nos aprimoramos constantemente até chegar ao topo da montanha.
Saturno é visto simploriamente como o planeta do limite, mas acho que essa é uma interpretação muito… limitada (rs). Qualquer planeta mal aspectado pode trazer sérios problemas, porém, se bem aspectado pode trazer grande fluência. Com Saturno não é diferente, ele é na verdade aquilo que levamos a sério, representa os assuntos em que assumimos responsabilidades, isto é, justamente a área profissional da nossa vida.
Você pode contestar: Ah, mas e a casa 6, e a casa 2? Ora, essas casas, através de seus regentes matizados pelo elemento Terra, complementam nossa atuação profissional, afinal, em seu trabalho você usa seu intelecto – Mercúrio – e também se relaciona com as coisas e pessoas – Vênus.
Planetas Regentes
A regência de signos e casas às vezes é equivocadamente passada como se houvesse um fio invisível ligando uma casa ou um signo ao seu planeta regente. Na verdade, não existe.
O que existe é uma projeção de assuntos. Em termos de Astrologia tradicional, Júpiter rege Sagitário e Peixes, e portanto, a casa 9 e 12. Mas não há um fio invisível ligando Júpiter a estes 4 pontos do mapa. O que existe é uma projeção dos assuntos de Júpiter combinados com o elemento Fogo, para Sagitário e sua respectiva casa; e uma projeção dos assuntos jupterianos combinados com o elemento Água, para Peixes e sua casa.
Neste sentido, até entende-se melhor, e aceita-se com mais facilidade as novas regências. Não há problema algum em ter Netuno como regente de Peixes, porque não temos que escolher qual planeta que realmente tem um fio invisível ligado com Peixes, e sim, que os assuntos Netunianos e os assuntos Piscianos “batem”, se correspondem, portanto, um Netuno forte no mapa (fazendo aspectos com planetas pessoais) estará claramente reforçando e direcionando suas vibrações piscianas, por mais que o signo de Peixes ou a casa 12 estejam sem planetas.
A má compreensão do fundamento das regências torna muito confuso interpretar uma casa 12 vazia com base em seu signo de cúspide, ou o signo de Peixes regendo qualquer outra casa vazia. O que se tem é uma salada de vibrações incompreensíveis e intraduzíveis, para o leigo.
Porém, ao se focar no planeta regente, tem-se muito mais clareza sobre o assunto tratado pelo planeta. Porque um resumo possível para a relação entre planeta, signo e casa, poderia afirmar que um planeta, seu signo regido, e sua casa regida, são o mesmíssimo princípio, porém atuando em níveis diferentes. O planeta é o o que, o signo é como, e a casa é onde. Sem o o que, o como e o onde não fazem muito sentido.
O Regente do Ascendente é o Regente do Mapa
Se os signos na cúspide de uma casa são menos importantes do que o planeta que a rege, então como ficam as casas angulares? Como interpretar um Asc em Câncer, por exemplo?
Ora, da mesma forma. Há na Astrologia um segmento da interpretação que se chama Regente do Mapa, que nada mais é do que o regente do Ascendente.
Uma pessoa que tenha Câncer como Ascendente, especialmente se tiver a Casa 1 vazia, deve primordialmente analisar onde está sua Lua – regente de Câncer – para compreender aprofundadamente seu regente.
O regente do signo Ascendente da pessoa acaba se tornando tão importante quanto os outros dois luminares, Sol e Lua. Se a pessoa tem Ascendente em Câncer ou Leão, cujos regentes são, respectivamente, Lua e Sol, então este luminar que rege o Ascendente torna-se ainda mais fundamental para ela.
Compensações e equivalências vibracionais
Há outra situação que se repete muito nos mapas. Eu chamaria de compensações ou equivalências vibracionais.
Há aspectos astrológicos diferentes que espelham comportamentos semelhantes nas pessoas. Por exemplo, uma tem sol em Leão e Mercúrio em Virgem. A outra tem sol em Virgem com Mercúrio em Leão. Evidentemente as sutilezas e outros detalhes do mapa podem diferenciar bastante estas duas pessoas, porém o resultado final, considerando alguma paridade entre esses dois mapas, é o mesmo: Uma expressão pessoal intensa matizada por certo detalhismo.
Outro exemplo de equivalência que leva a resultados semelhantes: Lua Quad Saturno, Lua Opos Saturno, Lua em Capricórnio, Saturno em Câncer. São configurações que demonstram uma tensão entre vibrações distintas, no caso, as lunares e saturnianas. Podem revelar (aqui dito de forma bem simplificada, para fins de entendimento) uma necessidade de se estruturar ou disciplinar as próprias emoções, quando Saturno estiver mais forte que a Lua, ou de se relaxar a rigidez emocional, caso a Lua esteja em melhor condições. O fato é que qualquer contato entre Lua e Saturno sugere a necessidade de se alcançar equilíbrio emocional.
Conclusão
Após aprofundar meus estudos em Astrologia, me vejo recorrentemente perdido e confuso em meio a infinidade de nuances possíveis sobre a infinidade de posições astrológicas possíveis.
Focar a análise do Mapa Astral nos Planetas torna a tarefa mais objetiva e simples, porque concentra os esforços justamente no que é importante. Uma casa vazia na verdade é irrelevante, porque todas as vibrações que dizem respeito a ela estão focalizadas em seu regente natural, e a posição dele no mapa.
Reproduzo abaixo trecho do livro Como fazer os Deuses trabalharem para você, de Caroline Casey.
É um livro sobre a relação entre o conhecimento astrológico e nosso aspecto psíquico, e, neste trecho, trata da solidão como uma circunstância necessária para nossa evolução espiritual.
“O sacrifício iniciático por definição é uma experiência solitária que nos leva à auto-reflexão. A solidão, atividade sacramental de Saturno é o portal para o reino mágico onde mora um poder maior que o nosso. Muitas vezes, quando estamos sozinhos, nos sentimos mais conectados com tudo. O tempo que passamos a sós permite que analisemos nossa vida, a fim de alinhar os deuses interiores com os exteriores do cosmos, para nos desembaraçarmos dos fantasmas das distrações tentadoras.
Sem reflexão, nós nos tornamos tão vulneráveis ao desequilíbrio como se fôssemos privados do sono. A resultante falta de clareza é o que inconscientemente nos predispõe a empregar outras pessoas para representar partes da nossa vida. Como Carl Jung disse, “A experiência mais elevada, mais decisiva é ficar a sós com nosso próprio self. Você tem de ficar sozinho para descobrir o que irá apoiá-lo quando você não puder mais se sustentar (em outras coisas ou pessoas). Somente essa experiência pode lhe dar uma base indestrutível”.
Melhor do que nos ajudar a rechaçar a solidão, Saturno nos estimula a abraçá-la. Vivemos numa cultura contrária à reflexão, em que muito do que passa por passatempo é meramente uma fuga do medo de ficar sozinho. Nós manufaturamos o “pandemônio”, que originalmente significava “fazer um monte de barulho”, a fim de afastar as partes aterradoras da nossa psique, os nossos demônios. Mas fugir não vai curar a nossa solidão. A solidão é a cura para a solidão; semelhante cura semelhante.
Saturno ensina que o sacrifício iniciático de passar pelo medo, precede o autocontrole. As tradições espirituais de muitas culturas requerem um tempo de árdua solidão como condição prévia para obter o autoconhecimento […]”
Sobre este último parágrafo, um exemplo bem evidente e conhecido é o período no qual Jesus passou vários dias no deserto, enfrentando seus demônios interiores.
Dias atrás uma bebê nasceu imediatamente após a morte de sua mãe, em acidente na Régis Bittencourt, rodovia de SP (link).
A notícia triste me chamou a atenção e, estudioso da astrologia, me ocorreu de fazer o mapa astral da menina para confirmar uma certeza intuitiva: A Lua da bebê, que representa no mapa a figura de sua mãe, estaria em aspecto bastante tenso e conflitante.
Encontrei a hora exata do acidente e, portanto, do nascimento, e não deu outra: Lá estava a Lua em conjunção plena com Plutão (os traumas num mapa) e em conjunção mais fraca com Marte (o pequeno maléfico), porém este alinhado com a cúspide da casa 4, a casa das finalizações.
O astrólogo Ivan Terrini ainda acrescentou na postagem original deste tema:
…tem um ASC em Escorpião que significa, quase sempre, um trauma no nascimento.
Está tudo na imagem que ilustra este post.
A interpretação padrão do programa que uso para obter os mapas astrais diz o seguinte, sobre conjunções entre Plutão e a Lua (no caso, destinado à bebezinha):
“Você foi profundamente marcado por experiências traumáticas na infância, durante as quais deixou de confiar na segurança da família. Seu vínculo com sua mãe é complexo na melhor das hipóteses e, na pior, inexistente. Por qualquer razão, ela não pôde criar você, talvez tenha sido levado para longe dela por algum tempo, talvez ela não tenha podido amamentá-lo, ou talvez, ainda ela tenha estado sob grande pressão psicológica e não tenha tido os recursos necessários para cuidar devidamente de você.”
Inexistente…
Nas minhas análises (amadoras), eu vinha ignorando os planetas exteriores – Urano, Netuno e Plutão – por considerar suas descobertas recentes demais para termos um conhecimento consistente sobre a função deles num mapa.
Estava equivocado. Analisando posteriormente alguns mapas, entendi como Plutão é destrutivo, Urano devastador e Netuno enlouquecedor quando em aspectos com determinados outros planetas.
Espero que a menina encontre apoio e amparo na vida, para compensar este início tão triste e traumático, e para que as predições astrais sobre seu nascimento sejam as mais amenas possível.
Sempre existiu esse questionamento sobre se a astrologia funciona ou não funciona. Na internet então, ela é massacrada, como uma pseudo-ciência, charlatanismo, besteira, esses adjetivos fáceis de usar por quem tem preguiça de ir a fundo e estudar as coisas. O preconceito nem sempre acontece por mal, e sim porque sempre foi o caminho mais fácil.
Pois bem. Quero falar um pouco sobre esse tema. Há muitos anos tenho o hábito de estudar de forma amadora essa área fantástica do conhecimento espiritual.
Horóscopo não é Astrologia
Para começarmos, devemos antes separar o joio do trigo. E me refiro aos horóscopos diários que encontramos em jornais, revistas, no rádio e na televisão. E nesse ponto, devemos dizer que É CLARO que aquilo tudo é superficial demais para se dizer que funciona. Muito embora eu entenda bem quem ouve horóscopos tanto pelo sentido de conselhos diários, como pelo fato do horóscopo contemporâneo ser uma forma de se massagear o ego. Ora, embora saibamos que o horóscopo é escrito para um amplo público, quem o lê tem a impressão de que aquelas palavras foram escritas especialmente para si. Ou seja, o horóscopo nada mais é do que uma breve massagem no ego, uma palavra de atenção e carinho “personalizada”. Poxa, se ninguém nos dá atenção, pelo menos nas palavras do horóscopo saboreamos um pouco a ilusão de ler algo com aquele gostinho de “especial para você”.
Porém, a maioria das pessoas não sabe, mas há todo um aprofundamento astrológico possível, realmente único e personalizado, que se consegue através do que os ocultistas denominam Astrologia Hermética. É através deste ramo espiritualista que conseguimos obter o que chamam de Mapa Astral, isto é, a posição exata dos astros na abóbada celeste no momento do nosso nascimento.
Já fiz dois mapas, e posso garantir que um mapa astral explica MUITO sobre o porquê das coisas serem como são na nossa vida. E só não explica mais, porque a astrologia foi colocada de lado no panteão das ciências, portanto seus estudos estagnaram desde o surgimento das universidades, com os astrólogos marginalizados e sem condições de tocarem estudos mais aprofundados sobre esse ramo fantástico do conhecimento humano. E, lamentavelmente, como sabemos, a astrologia não é a única área do conhecimento espiritual que ficou desacreditada devido à enorme dificuldade de se medir e categorizar as manifestações espirituais.
Como já comentei aqui, tudo que se relaciona à espiritualidade, só pode ser conhecido mediante um mergulho na experiência. Diferentemente de uma eventual conclusão científica, a qual é tida como verdadeira desde que vários cientistas concordem que os resultados de uma experiência são verdadeiros devido à possibilidade de reprodução desta experiência sempre com os mesmos resultados, o mesmo não se pode esperar de uma experiência espiritual, a qual só acontece daquele jeito para um indivíduo, e acontece de outro jeito para outro.
Você até pode conhecer muitos estudos e conclusões sobre estudos de ordem espiritual, mas a aceitação dessas conclusões de sua parte dependerá de sua crença. E é isso que acontece dentro das religiões, nas quais as pessoas aceitam determinados testemunhos com base unicamente na fé, ou na eventual identificação por elas já terem passado por alguma experiência espiritual semelhante.
Experimenta
Como o tema aqui é a Astrologia, é para a obtenção de um mapa astral seu que chamo a atenção. Dizer que você não acredita que astrologia funciona é ridículo. Vá, faça um mapa astral, leia com abertura mental, e então sim, tire suas conclusões. As pessoas têm que parar com essa postura infantil na qual assumem a existência de algo só porque acreditam. Ou seja, se você não acredita em algo, esse algo não vai deixar de existir imediatamente, e também o inverso: não é porque você acredita em algo que esse algo é necessariamente verdadeiro. O poder da fé é de realização, não de ajuste do mundo aos nossos conceitos dele. A REALIDADE não está nem aí para o que você acredita ou não.
O que é um Mapa Astral?
Exemplo de Mapa Astral
Passe o mouse sobre os símbolos para ver seus nomes.
Tentando resumir, um mapa astral é um mapa que mostra o posicionamento dos planetas do sistema solar no momento em que você nasceu. A figura acima mostra o meu mapa, que é um mapa do céu das 14:45 do dia 12 de novembro de 1980, o momento em que nasci.
Na imagem você percebe que há um círculo cinza no meio, que mostra as casas astrológicas que vão de 1 a 12. Percebe que na área amarelinha estão uma série de símbolos. Cada símbolo representa um planeta. Como a astrologia é um conhecimento milenar, foi ajustada para um momento no qual acreditava-se que a Lua e o Sol eram planetas. Enfim, os mais fáceis de identificar são o Sol, que é um círculo com um ponto no meio; também a Lua; Marte que representa o símbolo masculino, isto é, um círculo com uma seta que aponta para cima e para a direita; e Vênus, que representa o símbolo feminino, que é um círculo do qual pende uma cruz. E por fim, na mesma imagem, você percebe que há o círculo externo colorido, o qual contem os 12 signos zodiacais: Áries (vermelho), Touro (laranja), Gêmeos (amarelo), Câncer, Leão e Virgem (tonalidades de verde), Libra (azul celeste), Escorpião, Sagitário e Capricórnio (tonalidades de azul), Aquário (magenta) e por fim, Peixes (rosa forte, acima de Áries).
Agora você pode entender melhor a diferença entre o horóscopo e um mapa completo. Como você percebe na imagem acima, um mapa astral lida com mais de 10 planetas. O Sol é apenas um deles. O mais forte, é claro, mas APENAS UM deles. E é aí que reside a diferença. O seu signo, que você acompanha no horóscopo, é definido só pela posição do Sol. Ou seja, o horóscopo ignora 95% das informações astrológicas disponíveis no seu mapa.
Entenda bem, você que leva tudo ao pé da letra: Astrologia não é astronomia. Não há necessariamente uma mágica no posicionamento dos planetas que nos condicione para este ou aquele comportamento. Astrologia tem muito mais a ver com psicologia e, naturalmente, espiritualidade. A melhor metáfora que já encontrei sobre a Astrologia explica que o sistema solar é como um grande computador, e a precisão dos movimentos dos astros solares é usada pelo plano astral para definir onde e sob quais condições nasceremos. Bom… há mais mágica nisso tudo do que gostaríamos.
A ilusão desta realidade material, concreta e aparentemente casual nos leva a crer que a explicação astrológica do parágrafo anterior é impossível. Mas várias leituras e observações me levam a crer que essa nossa realidade não é tão casual e muito menos tão concreta como pensamos. Parece-me que há uma causa anterior e imanente a todos os fenômenos, que por não conseguirmos percebê-la, somos levados a ignorá-la, crendo no acaso, acidentes, etc. Entretanto, tudo parece ser muito mais intencional e planejado do que nossas viagens filosóficas mais loucas podem nos levar a perceber. Jesus já afirmava algo assim há dois mil anos:
6 – Não se vendem cinco passarinhos por duas moedas (dois asses)? E nenhum deles está esquecido diante de Deus. 7 – Mas até os cabelos da vossa cabeça estão todos contados. Não temais, pois mais valeis vós do que muitos passarinhos.
Símbolos Astrológicos
Todos os mapas astrais são, de forma geral, como na figura acima. Porém o grande lance nisso tudo não são as figurinhas, e sim, saber interpretá-las. E é aí que a coisa se complica. É preciso muito estudo e vivência para conhecer o que cada signo, casa e planeta representa, e também para relacioná-los correta e sabiamente. O bom astrólogo não sabe bem só de mapas astrais, nem só de símbolos, mas sabe bem de tudo, incluindo aí a necessária sabedoria para saber aconselhar as pessoas com base no que encontrar no mapa.
A intenção aqui não é traçar um panorama completo sobre astrologia, e sim mostrar a você como ela pode ser ( e é ) uma incrível e aprofundada ferramenta para o auto-conhecimento. Então para você entender, ao menos superficialmente, como planetas, signos e casas astrológicas se relacionam acima, vou utilizar outra metáfora.
Vamos supor que sua vida é um teatro, uma peça teatral onde suas características pessoais encenam.
Os planetas são os atores e cada planeta no mapa representa um segmento do seu ser, que simplificando, poderíamos resumir assim:
Os signos nos quais os planetas estão são os personagens que eles assumem.
Áries – Afirmação e Agilidade. Touro – Constância e Estabilidade. Gêmeos – Interação e Amizade. Câncer – Memória e Origens. Leão – Valor e Brilho Pessoal. Virgem – Pureza e Detalhes. Libra – Harmonia e Equilíbrio. Escorpião – Mistério e Transformação. Sagitário – Elevação e Expansão. Capricórnio – Trabalho e Excelência. Aquário – Liberdade e Fraternidade. Peixes – Criatividade e Transcendência.
E por fim, as casas astrológicas onde os planetas estão no mapa astral representam os cenários da sua vida onde eles, os atores, atuarão cada qual com os personagens definidos pelos signos.
CASA 1 – Ser – Temperamento e Comportamento. CASA 2 – Ter e Fazer – Dinheiro e Segurança. CASA 3 – Aprender – Estudos e Cotidiano. CASA 4 – Sentir e Sonhar – Família e Lar. CASA 5 – Prazer – Criatividade e Filhos. CASA 6 – Trabalhar – Direitos/Deveres e Saúde. CASA 7 – Associar – Casamento e Sociedades. CASA 8 – Transformar – Perdas e Heranças. CASA 9 – Refinar – Filosofia e Religião. CASA 10 – Aperfeiçoar – Profissão e Aprimoramento. CASA 11 – Libertar (se) – Amigos e Potencialidades. CASA 12 – Doar – Sacrifício e Caridade.
Interpretação
Consultando o meu mapa astral acima, poderemos encontrar, por exemplo, o planeta Marte, o qual diz respeito a energia e disposição pessoal, no signo de Sagitário. Uma interpretação rápida é que um sujeito como eu tem grande disposição pessoal para a Elevação. Elevação do que? A casa 9, onde o mesmo planeta se encontra, responde: Filosofia e Religião. Ou seja, tal posicionamento num mapa astral indica alguém com muita disposição para aumentar seus conhecimentos relacionados às áreas filosóficas.
Quem acompanha ou já conhece um pouco do meu trabalho neste site, pode concluir por conta que faz MUITO sentido, dado o meu amplo interesse pelo assunto.
Além dessas várias definições mais precisas oferecidas pelos posicionamentos dos planetas nos signos e casas astrológicas, há no meu mapa especificamente, uma interpretação rápida e fácil. A princípio, sou do signo de Escorpião, já que o Sol no meu mapa astral se posiciona neste signo. Porém observe quantos planetas estão posicionados no signo de Libra / Casa 7 …
Estão lá Vênus, Júpiter, Plutão e Saturno. Isso mesmo: QUATRO! Isso demonstra claramente que embora minha personalidade de modo geral apresente as características de um escorpiano, ela possui uma forte tendência libriana.
A minha indecisão crônica confirma esta interpretação 🙂
Conclusão
Agora veja a imensa possibilidade de interpretações que todos os vários planetas, signos e casas astrológicas permitem. Além desses posicionamentos básicos demonstrados acima, há também algumas interpretações a respeito de como os planetas posicionam-se entre si, chamados trígonos, quadraturas e sextis. E há ainda uma série de detalhes e observações possíveis que eu encontrei estudando alguns livros de astrologia por conta, que me deixaram embasbacado com a profundidade do conhecimento disponível num gráfico tão simples. De modo que somente um bom astrólogo poderá lhe dar uma interpretação aprofundada de seu mapa.
Só posso garantir que, se você tiver um mínimo de interesse sobre o assunto, e algum interesse pelo auto-conhecimento, encontrará num mapa astral uma fonte inesgotável de informações a respeito de si.